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09/10/2011

O CEMITÉRIO SÃO MIGUEL - PARTE II

SÁBADO, 8 DE OUTUBRO DE 2011

CEMITÉRIO SÃO MIGUEL

O cemitério São Miguel, segundo o Sr. Francisco das Chagas Albuquerque, (chico cabeção), foi construído na administração do Vigário da Freguesia da Palma  Padre, BELARMINO  FRANCISCO MARTINS GAFANHOTO, entre os anos de 1873 a 1875.
Onde hoje esta situado o nosso Cemitério, e o Bairro São Miguel, antes só haviam matos, marmeleiros, mufúmbos, lágrimas de viúva, ateiras, etc.., eram as plantas que dominavam aquele pedaço de chão.
Muito inteligente, o padre convoca a população da região, e circunvizinha, no que foi prontamente atendido. para que os ajudassem na realização de sua obra. E  foi a própria  população quem tomou a frente da construção de nosso cemitério.
Brocaram, limparam até as pedras que até hoje servem de muro do cemitério foram trazidas do Serrote pelo povo em multirão, passando de mão em mão ate aqui chegar.
Todos aqueles que ajudaram a construir, como pagamento, ganharam cada um seus pedaços de terra onde construiriam seus túmulos para que fossem depositados os restos mortais de seus familiares em seus descanso eterno.
Com a epidemia de Febre Amarela, Doença contagiosa que  assolava o Pais, o Estado, e os Municípios muitos morreram, e o povo com medo do contagio não deixavam serem enterrados junto com os que morriam de morte natural, por esse motivo nosso cemitério ficou como se fosse dividido em “4 quartos”e destinou um desses “1 quarto” de seu terreno que seria aquele pedaço que fica na parte de traz pelo lado do rio para aqueles que morressem da tal doença.
Hoje muitos anos depois aquele pedaço de terra que foi destinado ao pessoal do febrão, já foi tomado por túmulos de pessoas que são enterradas normalmente naquele pedaço de chão.
Na minha ultima conversa com o meu amigo e Historiador Dr. Leonardo Pildas,ele me disse que foi sugerido ao pároco da época fazer a exumação de todos os corpos (ossos) do Cemiterio do Socavão para o Cemiterio  São Miguel ,se foi feito, isso não se sabe.         
Ao fundo temos também uma capelinha com a imagem de SÃO MIGUEL, má conservada e preservada onde, as pessoas fazem suas orações, acendem suas velas ou deixam suas fitinhas .
Nosso cemitério também agoniza,onde era pra ser local de descanso, hoje serve de banheiro, coitos, ponto de venda, compra e de consumo de drogas .
Muros Baixos e em algumas partes quebrado, facilitando o fluxo de pessoas ma intencionadas em seu interior.

Não sei de quem é a responsabilidade só sei que falta um olhar de alguém.
de quem em? De quem?

“ SE NÃO RESPEITAM  NEM VIVOS ,VÃO RESPEITAR OS MORTOS ?

“Manchão

Benedito Gilson Ramos  “Manchão ”
Blog Grande Várzea



Corrigenda

O título desta nota é uma expressão latina que significa “coisas que devem ser corrigidas”. Respeitosamente, peço vênia ao nobre amigo Benedito Gilson Ramos, o nosso popular Manchão, para evidenciar e corrigir alguns equívocos pontuados no artigo “CEMITÉRIO SÃO MIGUEL” publicado nos blog Grande Várzea (Sexta-feira: 7 de outubro de 2011) e  RM no Foco (Sábado, 8 de outubro de 2011).
Declaro, com absoluta convicção, que não sou guardião da História de Coreaú. Porém, o assunto explicitado no texto em comento encontra-se referenciado no livro História de Coreaú (1702–2002) de minha autoria, tendo por base documentos originais da época depositados no Arquivo da Paróquia Nossa Senhora da Piedade de Coreaú, que poderão ser consultados por pesquisadores.
Neste contexto, é consentâneo transcrever, aqui, o que assevera o Padre Francisco Sadoc de Araújo, um dos maiores historiadores cearenses, no texto de apresentação do livro História de Coreaú, p. 30: “Em verdade, quem se aventura a escrever com seriedade qualquer livro de história não pode prescindir da pesquisa em arquivos e bibliotecas, que são o manancial primeiro dos dados precisos e autênticos que estruturam a veracidade dos fatos narrados”.
Faz-se mister lembrar, que na pesquisa busquei sempre as fontes primárias e secundárias, laçando mão da história oral, somente nos casos em que a crônica escrita não registrou.
Assim, fundado nesse princípio e escorado na expressão latina: “Verba volant, scripta manent = As palavras voam, mas quando escritas permanecem para sempre.” [Rezende 7033] e pugnando pela veracidade da informação, arrimo-me, também, nesta outra sentença latina: Vera lex historiae veritas = A verdadeira lei da história é a verdade.” [Beda, Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum, Praefatio, adaptado], tomei a deliberação de esclarecer tais lapsos, para que a História de Coreaú, ao ser escrita, reflita sempre a correta dimensão histórica dos fatos descritos, atentando para o valor e a veridicidade do objeto pesquisado e comentado.
Caro Manchão, não se trata de reprimenda, mas tão somente de uma defesa intransigente da clareza e correção nos registros da rica história do nosso berço comum. Lembre-se, admiro muito o seu trabalho que tem documentado, em fotos e textos, a marcha da história hodierna de Coreaú.
Faz-se imperioso, também, destacar o meu apreço e a minha consideração ao senhor Francisco das Chagas Albuquerque, (Chico Cabeção), um dos arquivos vivos de Coreaú, que tantas vezes já o consultei, principalmente, no que tange às coisas hilárias da terrinha.
Após esse longo introito, apresento as devidas correções pautadas no que escrevi no modesto trabalho “História de Coreaú”, publicado em 2003, que ambos possuem exemplares, podendo perfeitamente confirmar as indicações por mim suscitadas a seguir:

Primeiro Parágrafo: “O cemitério São Miguel, segundo o Sr. Francisco das Chagas Albuquerque, (chico cabeção), foi construído na administração do Vigário da Freguesia da Palma  Padre, BELARMINO  FRANCISCO MARTINS GAFANHOTO, entre os anos de 1873 a 1875.”

Comentário/Correção – Registrei no livro História de Coreaú, às p.155-157, o teor original do Termo da Visita Pastoral de Dom Joaquim José Vieira, Bispo do Ceará, datado de 22 de junho de 1884, lavrado no Livro do Tombo da Paróquia – Primeiro Volume, às fl. 66v a 68, por mim transcrito ipsis litteris, que aponta o Padre Bernardino de Senna Ferreira Lustosa como construtor do Cemitério São Miguel:

“Termo da Visita
(...).
Fazemos saber que chegamos a esta Parochia de Nossa Senhora da Piedade da Villa da Palma, da qual é Parocho encomendado o Revº Bernandino Lustosa, as 10 horas da manhã do dia 19 do corrente fazendo nossa entrada solene na Igreja Matriz as cinco horas da tarde, onde, depois de cumpridas as cerimonias do Pontifical Romano; (...).

Cemiterios

Há nesta paroquia três cemitérios...; o segundo ainda não bento, é espaçoso e bem fechado, tendo um Cruzeiro ao centro; foi construído pelo actual parocho e o povo da parochia; é para desejar-se que se exumão mais tarde os ossos humanos que jazem no primeiro desses cemitérios e sejão depositados no novo cemitério a fim de que se possa prestar em todo tempo o respeito devido aos restos mortaes de creaturas que nascerão e se educarão no seio da Nossa Santa Madre Igreja, remidos pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Christo. (...).
(...).” N.B.: os grifos são meus.

(vide Leonardo Pildas, História de Coreaú 1702–2002; Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2003; p.155–157).

Sobre o assunto em lide, considerando a pertinência, sugiro, também, uma cuidadosa leitura do tópico 3.4 Cemitérios, p.168-170, do livro História de Coreaú, já referido.

Segundo Parágrafo: “Onde hoje esta situado o nosso Cemitério, e o Bairro São Miguel, antes só haviam matos, marmeleiros, mufúmbos, lágrimas de viúva, ateiras, etc.., eram as plantas que dominavam aquele pedaço de chão.

Comentário/Correção Não tenho condições de comentar, tendo em vista, que não encontrei nenhum relato escrito sobre o registro efetuado no parágrafo supra.

Terceiro Parágrafo: Muito inteligente, o padre convoca a população da região, e circunvizinha, no que foi prontamente atendido. para que os ajudassem na realização de sua obra. E foi a própria  população quem tomou a frente da construção de nosso cemitério.
Brocaram, limparam até as pedras que até hoje servem de muro do cemitério foram trazidas do Serrote pelo povo em multirão, passando de mão em mão ate aqui chegar. Todos aqueles que ajudaram a construir, como pagamento, ganharam cada um seus pedaços de terra onde construiriam seus túmulos para que fossem depositados os restos mortais de seus familiares em seus descanso eterno.”

Comentário/Correção Idem, por absoluta falta de menção escrita.

Quarto Parágrafo: Com a epidemia de Febre Amarela, Doença contagiosa que  assolava o Pais, o Estado, e os Municípios muitos morreram, e o povo com medo do contagio não deixavam serem enterrados junto com os que morriam de morte natural, por esse motivo nosso cemitério ficou como se fosse dividido em “4 quartos” e destinou um desses “1 quarto” de seu terreno que seria aquele pedaço que fica na parte de traz pelo lado do rio para aqueles que morressem da tal doença.”

Comentário/Correção Em conversa com o Manchão, referi-me a notícias ouvidas quando eu era menino. Estas diziam que os dois espaços laterais da Capela do Cemitério foram reservados um, para os restos mortais existentes no Cemitério velho e o outro, para o sepultamento dos falecidos pela febre amarela. No entanto, durante a pesquisa, nada encontrei sobre tal. Todavia, como já referido no tópico Comentário/Correção atinente ao Primeiro Parágrafo, o Bispo visitante manifestou o desejo de que os restos mortais existentes no antigo Cemitério fossem exumados e depositados no Cemitério novo. Quanto às demais afirmações contidas no parágrafo em análise, não disponho de dados que me autorizem contestá-las nem ratificá-las.

Quinto Parágrafo: Hoje muitos anos depois aquele pedaço de terra que foi destinado ao pessoal do febrão, já foi tomado por túmulos de pessoas que são enterradas normalmente naquele pedaço de chão.
Na minha ultima conversa com o meu amigo e Historiador Dr. Leonardo Pildas, ele me disse que foi sugerido ao pároco da época fazer a exumação de todos os corpos (ossos) do Cemiterio do Socavão para o Cemiterio São Miguel, se foi feito, isso não se sabe.         

Comentário/Correção Vide comentário do Quarto Parágrafo.

Sexto Parágrafo: “Ao fundo temos também uma capelinha com a imagem de SÃO MIGUEL, má conservada e preservada onde, as pessoas fazem suas orações, acendem suas velas ou deixam suas fitinhas.”

Comentário/Correção A aludida Capela foi construída já no século XX pelo padre José Juvêncio de Andrade, entre 1907 e 1913. (vide Leonardo Pildas, História de Coreaú 1702 – 2002; Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2003; p.169 e 170).

Por último, enfatizo que a luz dos documentos citados neste artigo e nos tópicos do livro História de Coreaú com as devidas indicações de páginas, o construtor do Cemitério São Miguel foi o Padre Bernardino de Senna Ferreira Lustosa, que paroquiou a Palma entre 12/7/1878 e 5/11/1889, século XIX.

Fortaleza, 8 de outubro de 2011
Leonardo Pildas
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