Era meados da década de setenta... Naquela época lá nas bandas do pé da penaduba a comunicação ainda era via fumaça. Nada de rádio, de televisão e tantas outras mídias tal qual nossos dias... Pois bem... Aquilo que seria nos dias de hoje uma rotina enfadônia, mas não era, ou seja o silêncio geral das casas era quebrado pelo menos uma vez a cada dois meses ano após ano. Era a visita dos cumpadres e cumadres... Feitas geralmente aos sábados ou domingos era dia de festa. Meninos a brincar nos terreiros debaixo das goiabeiras, cumadres a conversar lá nas cozinhas e cumpadres nos alpendres. Ao menor indício de aproximação da pivetada a conversa silenciava com uma repreenda do tipo: -Vão brincar lá fora!!! Quais segredos tanto converesavam? E assim o tempo foi passando... Mas... Mas... Eu disse: Mas... Num é que ontem prazerosamente vivi um pouco de dia do cumpadre, mesmo sem sê-lo. Foi o resultado de uma nobre visita em nossa modesta taba do colega e parente o professor Raimundinho Eliano. Em pelo menos duas horas de conversar enquanto as pequenas traçavam procedimentos para a feitura de um trabalho escolar, rebobinamos o filme do passado não tão recente e debulhamos pelo menos três décadas de assuntos dos mais variados. Desde a educação daquela época à "educação" de nossos dias, passando pela "bem intencionada" idéia do Mobral, política e tantas outras coisas mais. Foi um acontecimento tão bom que recomendo. Ah! Ía me esquecendo. Como é do meu feitio aquecí orelhas de muita gente... Fazer o quê? Eu não mudo mesmo, né... Mesmo com este chovoeiro todo e tanto brejo acho que aqueci até debaixo do chão. Tenho dito... E sempre!!!
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Que Deus seja, minha e sua proteção sempre!!!
Manuel de Jesus
