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20/01/2011

RM NO FOCO DA POESIA

BARRIGA BRANCA


Quando vive o marido atravancado,

De cabresto, cambão, canga e tamanca,
Aos caprichos da esposa escravizado,
Recebe o nome de Barriga Branca.

Nunca pode fazer o que ele quer,
O pobre diabo, o tal Barriga Branca.
Sempre cumprindo as ordens da mulher,
Ele é o dono da casa e ela, da tranca.

Ele escuta calado sempre mudo,
Sua esposa da lingua de tarisca,
Ela é quem manda e quem comanda tudo,
Ele só corta por onde ela risca.

Em qualquer festa do melhor brinquedo,
Se ela nota que o pobre está contente,
Logo lhe ordena com um gesto azedo:
Vamos voltar! Está doendo um dente.

Na sua ordem rigorosa e dura,
Ninguém pode tirar suas razões,
Dos amigos do esposo ela censura
E proc ura cortar as relações.

Tu és Barriga Branca um desgraçado,
Por onde passas todos te dão vaias,
Teu destino é viver subordinado
Sob o jugo humilhante de uma saia.

Tu és um carro que não sai da pista,
Rodas constante, velozmente e bom,
Tua esposa é o único motorista,
Pé no teu freio e mão no teu guidom.

É lamentável teu sofrer profundo,
Nunca ser ás autoridade franca,
Tens um inferno nesse nosso mundo:
É muito triste ser Barriga Branca.

Patativa do Assaré
e-mail de Davi
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