Este mês marca, no Brasil, a passagem do Dia da Consciência Negra, instituído em 2003 e que fixou a data de 20 de novembro - dia da morte do líder negro Zumbi dos Palmares, em 1695 - para registrar, pelas mais diversas manifestações, aquele fato. Esse dia tão simbólico para a comunidade negra é festejado informalmente há décadas, não somente em eventos culturais, mas, principalmente, com a realização de debates que abordam a problemática dos milhões de descendentes dos 3,6 milhões de escravos africanos que, entre 1550 e 1850, foram traficados para nosso território. Durante 330 anos de tráfico e escravidão, os negros constituíram a base da mão-de-obra local, responsáveis pela construção de toda a infraestrutura da então colônia. Sofreram com a separação forçada de suas famílias. Foram explorados, ultrajados, padecendo os castigos físicos e morais mais atrozes. Porém, a partir da luta de Zumbi e de seus companheiros quilombo las, buscaram a inspiração e a força para que perseverassem por sua liberdade. Em inúmeras rebeliões, lutaram contra as brutalidades a que eram submetidos. Com o tempo, a ação dos intelectuais abolicionistas intensificou-se e, afinal, os negros tornaram-se livres com a Lei Áurea, sancionada pela princesa Isabel, em 1888.
Mas a liberdade não foi seguida de medidas destinadas a dar-lhes os meios necessários à reconstrução de suas vidas. Foram simplesmente jogados na rua, sem teto, sem trabalho. Ficaram à margem da educação, da saúde e de tudo o que é básico para a dignidade de um ser humano. Embora tenham contribuído para a construção da história e da identidade nacionais, por meio da miscigenação racial e das mais diversas formas de expressão religiosa e artística, só nas últimas décadas o Brasil reconheceu a grande dívida que tem para com seus cidadãos afro-descendentes, ao criar políticas de igualdade racial e de maior inserçã o no conjunto social. Os primeiros passos já foram dados, mas muito há de ser feito para que essas pessoas conquistem, de fato e de direito, o respeito que foi negado a seus antepassados e que lhes é devido pela pátria.
Mas a liberdade não foi seguida de medidas destinadas a dar-lhes os meios necessários à reconstrução de suas vidas. Foram simplesmente jogados na rua, sem teto, sem trabalho. Ficaram à margem da educação, da saúde e de tudo o que é básico para a dignidade de um ser humano. Embora tenham contribuído para a construção da história e da identidade nacionais, por meio da miscigenação racial e das mais diversas formas de expressão religiosa e artística, só nas últimas décadas o Brasil reconheceu a grande dívida que tem para com seus cidadãos afro-descendentes, ao criar políticas de igualdade racial e de maior inserçã o no conjunto social. Os primeiros passos já foram dados, mas muito há de ser feito para que essas pessoas conquistem, de fato e de direito, o respeito que foi negado a seus antepassados e que lhes é devido pela pátria.
Gilson Barbosa, jornalista
Fonte: Diário do Nordeste, 21/11/2009
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