Corria o ano de 1450 a. C quando Moisés o líder, guru espiritual e professor dos judeus, recebeu o chamado de Deus para subir ao Monte Sinai para que este recebesse as novas lições de religiosidade que a humanidade devia seguir e praticar ate a vinda do Messias um milênio e meio no futuro. Lá chegando, ouviu o ditado das ordens para doutrinar seu povo. Copiou-as nas lápides de rocha e as trouxe nas costas. Se fosse eu teria questionado: -Mas Senhor! Não tens aí um laptop, uma impressora para que esta tarefa me fique menos árdua e mais rentável, onde eu as divulgue e pregue? Assim aprendizado se faça mais rápido e eficaz! Nem que tivesse recebido uma reprimenda. Melhor uma bronca do Senhor Deus do que a pecha e incompetente e desleixado. Pois bem...
-Ora! Ora! Profano fariseu. Onde pretende chegar grafando tamanhas heresias? Imagino que por estar chegando o período festivo já estás visando por à prova a “religiosidade” e a “demasiada fé” de nossa gente, que breve, breve renovará seus passes rumo à dimensão celestial regada a muito álcool e música chula diante do grande templo. Não lerei mais seus textos. Prefiro o caminho reto rumo ao céu do que esta estrada ruim pela qual desejas que eu me perca. Fecharei meus olhos agora para que não venha a cegar...
-Calma! Calma! Não vamos radicalizar... Confesso... Amado, estimado, e admirado leitor. Esta ideia não me veio à cabeça. Ainda! Meu norte era outro, no entanto... Deixa para lá... ainda não chegamos em setembro. Vamos ao que interessa: Como disse, eu não, os livros bíblicos, os ensinamentos foram grafados sobre a pedra e mais difícil do que grafar foi transmitir.
Estava eu no ano 2000 d. C, portanto três mil e quinhentos anos depois de Moisés fazendo quase a mesma coisa. Transcrevia apontamentos de arimética básica em uma lápide de pedra fixada na parede da sala de aula para uma turma que concluiria o ensino médio sem saber somar direito, quando uma cadeira me foi arremessada pelas costa. Sorte que não pegou. Mas se pega... Melhor seria um notbook.
-Alguem aí notou alguma semelhança? -Não? -Não me diga? -Nada? -Nadica de nada? -Onde anda seu senso investigativo? -Seu espírito crítico onde anda? Tudo bem depois você procura... A semelhança é que, tanto eu como você amado colega professor, estamos doutrinando, ensinando, e tentando transmitir conhecimentos como se fazia a quase quatro mil anos e o que é pior, nem se deram contas disso. Não achas tudo isso um grande absurdo? Eu acho! Votando àquela aula de aritmética, eu indignado com o baixo rendimento de meus pequenos discípulos, disse sonhava com a escola ideal aos novos tempos, quando um dos mais ativos indagou-me: “-Mestre e qual é a escola ideal aos novos tempos?” -Um notebook por aluno online com o mundo, onde o professor não mais escreva uma só palavra, muito menos sob a pedra e tudo seja exposto em grande tela multimídia da maneira mais atrativa possível.
“-O que é isso? Noventa por cento da turma gritou em coro...”
-Cê tá é doido “fessô”! Gritou umas das que se achava mais inteligente. Talvez fosse.
- Triiiiiiiiiiiiiinnn!!!!!! A sirene tocou... A aula acabou... E o sonho continuou...
- Viu? Não era de festa que eu ia falar. Tenho dito... E sempre!!!
MANUEL DE JESUS
