Afagos, batidinhas nas costas, beijinhos, crianças no colo, acenos, visitas a botecos e botequins, todas essas cenas e encenações já integram o repertório político dos candidatos à caça de votos. O rosário de promessas também. O cardápio é vário - bolos de feira, cafés frios ou requentados, panelada mal-cheirosa, carne de bode velho - nenhuma dessas iguarias são rejeitadas, mas acolhidas obrigatoriamente pelos pretendentes à conquista de um mandato.
Após eleitos ou reeleitos ( nem todos o serão nem uma coisa nem outra, evidentemente), voltarão ao bem-bom do status quo ante dos restaurantes, às finas iguarias e aos capitosos vinhos, pois, afinal, ninguém é de ferro para aguentar essa culinária do "zé povinho". Agora, é preciso sofrer. É preciso deixar o paladar em casa; educar o nariz, para não sentir o cheiro de azedo e de suor dos sovacos desodorizados. É preciso treinar o estômago e, sem qualquer esboço de cont ragosto ou cara feia, pois aí o voto já fugiu pela janela. Parodiando Fernando Pessoa: tudo vale à pena, quando o objetivo é ganhar o voto do eleitor.
E é tão curto o período de sacrifícios, o tempo de vacas magras. Logo, logo, passada a fase do contato corpo a corpo, das passeatas e das caminhadas domiciliares - a fase das provações alimentícias - chega a fase da bonança. Quatro anos de rega-bofes, de mordomias, com tudo pago e custeado pelos eleitores. O Senado então é a própria imagem do céu na terra, para lembrar a definição de um senador cearense sobre aquele paraíso.
Enquanto não chega o tempo das vacas gordas, o jeito é sofrer. É fazer das tripas coração, sempre tendo por perto um vidro de álcool para as depurações, após a sessão de beija-pés, ou melhor, de beija- mãos, às vezes não tão sujas como a de certos personagens da cena política.
Mas, é bom repetir o refrão - tudo vale à pena, quando o objetivo é vencer. Mas cuidado com as infecções, pois novas eleições virão e é preciso estar em forma para a peregrinação e o ritual da quadra eleitoreira.
Eduardo Fontes – Jornalista
Fonte: Diário do Nordeste
e-mail de Davi
Após eleitos ou reeleitos ( nem todos o serão nem uma coisa nem outra, evidentemente), voltarão ao bem-bom do status quo ante dos restaurantes, às finas iguarias e aos capitosos vinhos, pois, afinal, ninguém é de ferro para aguentar essa culinária do "zé povinho". Agora, é preciso sofrer. É preciso deixar o paladar em casa; educar o nariz, para não sentir o cheiro de azedo e de suor dos sovacos desodorizados. É preciso treinar o estômago e, sem qualquer esboço de cont ragosto ou cara feia, pois aí o voto já fugiu pela janela. Parodiando Fernando Pessoa: tudo vale à pena, quando o objetivo é ganhar o voto do eleitor.
E é tão curto o período de sacrifícios, o tempo de vacas magras. Logo, logo, passada a fase do contato corpo a corpo, das passeatas e das caminhadas domiciliares - a fase das provações alimentícias - chega a fase da bonança. Quatro anos de rega-bofes, de mordomias, com tudo pago e custeado pelos eleitores. O Senado então é a própria imagem do céu na terra, para lembrar a definição de um senador cearense sobre aquele paraíso.
Enquanto não chega o tempo das vacas gordas, o jeito é sofrer. É fazer das tripas coração, sempre tendo por perto um vidro de álcool para as depurações, após a sessão de beija-pés, ou melhor, de beija- mãos, às vezes não tão sujas como a de certos personagens da cena política.
Mas, é bom repetir o refrão - tudo vale à pena, quando o objetivo é vencer. Mas cuidado com as infecções, pois novas eleições virão e é preciso estar em forma para a peregrinação e o ritual da quadra eleitoreira.
Eduardo Fontes – Jornalista
Fonte: Diário do Nordeste
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